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PRATA DA CASA - Episódio 2

Coração solidário: projeto incentiva comunidade carente com arte marcial

Publicado: Terça, 21 de Novembro de 2017, 13h06 | Última atualização em Quinta, 04 de Janeiro de 2018, 16h47

Funcionário do Ministério oferece aulas de Wushu Sanda e forma atletas no Varjão. Cinco de seus alunos já foram campeões em competições nacionais

Há quatro anos, uma arte milenar aportou na região do entorno da capital federal. No Varjão, a 11 quilômetros de Brasília, 60 novos guerreiros do Wushu Sanda (Box chinês) treinam todas as noites de terças e quintas-feiras, no projeto Coração de Dragão, sob a tutela do mestre Jorge José da Silva Júnior, autor da iniciativa.

Jorge, que é funcionário do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, recebe alunos com idades que variam entre 8 a 50 anos. Desde 2015, ele oferece aulas de Sanda gratuitamente à comunidade carente daquela região. Mas, antes de descobrir sua face solidária, sua vida passou por uma grande reviravolta.

A VIRADA - No auge de sua carreira de desportista, quando já havia conquistado o bicampeonato paulista da categoria em 2013, além de outras premiações, Jorge descobriu que havia sido gravemente lesionado, em uma das fases da competição, em São Paulo. Com dores intensas, na altura da costela, ele não buscou ajuda médica imediatamente, voltando à rotina de trabalho, em Brasília. Mas, em uma grave crise, precisou ser hospitalizado, quando descobriu que estava com rompimento da pleura – a membrana que reveste os pulmões. Seu estado era grave. “Um dos meus pulmões estava totalmente parado e com hemorragia. Corria risco de morte”, contou.

Para impedir que o quadro se agravasse, ele passou por três cirurgias. Ao final dos procedimentos, recebeu o ultimato do médico: “Ele disse que eu não poderia mais competir. Fiquei sem chão”, lamentou.

O campeão, que treinava desde os 14 anos, se viu amarrado a uma condição debilitante. Enlutou, chorou e até ganhou peso. Apesar da tristeza e do desapontamento, Jorge buscou reverter a situação e transformar sua dor em alegria.

SUPERAÇÃO – Jorge recomeçou a dar aulas para os sobrinhos, em casa. Até que um amigo, percebendo ali uma nova chance, indicou a ele um espaço no Lago Norte, onde ele poderia treinar outras pessoas. “Cheguei a questionar: é isso mesmo, meu Deus?”. E topou.

Sem investimento em propaganda, somente na comunicação boca a boca, no primeiro dia, já surgiram 57 alunos. “As pessoas nem cabiam no lugar. Foi surpreendente!”

Sem estrutura, os chinelos viraram aparadores de chutes. Todo dia, era um novo improviso. Mais uma vez, Jorge se viu desafiado. Para vencer mais esta luta, junto a amigos, arrecadou R$ 500 e comprou uniforme para todos. Este foi seu primeiro investimento no projeto que recebeu o nome Coração de Dragão.

O brasiliense, de 40 anos, ainda precisa driblar as dificuldades. Em nova sede, junto à Creche Comunitária do Varjão, ele acompanha a várias histórias tristes e de superação. “Ajudo as crianças com problemas em casa, na vida. Tenho crianças que jamais saíram daqui, do Varjão”.

Coração de Dragão imagem

Entretanto, todo o esforço de Jorge tem sido recompensado. Atualmente, cinco de seus alunos estão em fase de competição. Com a ajuda de parcerias para arcar com parte dos custos, quatro de seus competidores, Guilherme Costa “Canjica” (16), Anderson Rafael (22), Flávio Pinho (22) e Matheus Oliveira (20), representaram o projeto Coração de Dragão na Liga Nacional de KungFu, que aconteceu no mês de agosto, em Itapecerica da Serra, localizada na Região Metropolitana de São Paulo.

Na primeira viagem para competir, os alunos de Jorge levaram consigo desafio e sonho, trazendo de volta bagagens carregadas de conquistas. “Não é só de luta que vivemos, apesar de termos muitas, mas de alegrias também”. O treinador afirma ser uma honra acompanhar os meninos no campeonato e presenciar o momento em que todos subiram ao pódio. “Ao todo, foram quatro medalhas, duas de ouro e duas de prata, que trouxemos para o projeto. A vitória é o resultado de muita dedicação. Isso dá um “gás”! Constatar que o esforço é válido, é um incentivo para todos nós continuarmos.”afirma o mestre.

Além da disciplina para os treinos, Jorge exige de seus alunos um bom rendimento escolar. “Precisamos estimular estes meninos. Sem incentivo, pode morrer um campeão”. E o desafio não para por aqui. Os treinos continuam, e os competidores já se preparam para novos desafios em 2018, representando o projeto.

Todos estão torcendo por vocês, Jorge!

Esta é a Coluna Prata da Casa. Aqui contamos histórias inspiradoras e de superação, como a do colaborador Jorge Júnior e de seu projeto Coração de Dragão. Assim como a trajetória do lutador, a sua também pode ser a próxima contada aqui, e ajudar a motivar muitas pessoas. Inscreva-se ou indique um colega enviando uma mensagem para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Foto/vídeo: Pedro Cavalcante - Ascom/MTPA

Comunicação Interna
Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil

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